Dois ficheiros com o mesmo nome
O SAF-T de faturação é o que sai do programa de faturação. Contém os documentos emitidos num período e é o que o contabilista costuma pedir, ou o que se entrega quando a AT o solicita.
O SAF-T da contabilidade é outro âmbito: sai do software de contabilidade, abrange a contabilidade organizada e tem o seu próprio calendário. Os primeiros dados abrangidos são os de 2027, para entrega em 2028.
Quando alguém pergunta "tenho de entregar SAF-T?", vale sempre a pena começar por perceber de qual dos dois se está a falar — as respostas são diferentes.
O que vai dentro do ficheiro de faturação
- Um cabeçalho com a identificação da empresa, o período e o programa que o gerou.
- A tabela de clientes, a de produtos e a de impostos.
- Cada documento emitido, com as linhas, as taxas, os totais e o estado (normal ou anulado).
- Para as notas de crédito, a referência ao documento que corrigem e a razão da correção.
Documentos anulados continuam no ficheiro, marcados como anulados. Não se apagam — o que se apaga não deixa rasto, e o ponto do SAF-T é precisamente deixar rasto.
O detalhe que apanha quem gera SAF-T à mão
O ficheiro é declarado em Windows-1252, e não em UTF-8. Um nome com acentos gravado no encoding errado produz um ficheiro que abre bem no computador e é recusado na validação.
Outro engano comum: o campo que identifica o produtor do software é o NIF de quem fez o programa, não o da empresa que emite. São dois números diferentes e trocá-los passa despercebido até ao dia em que não passa.
Validar não é uma coisa só
A AT disponibiliza um validador oficial, e há também o XSD — o esquema que define o formato. Não dão sempre a mesma resposta: há ficheiros que o validador aceita e o XSD rejeita.
Quem leva isto a sério corre os dois. Passar num não é prova de passar no outro, e é o tipo de diferença que só se descobre quando já há ficheiros entregues.
Perguntas frequentes
Com que frequência tenho de gerar o SAF-T de faturação?
Depende do que lhe for pedido e do acordado com o seu contabilista — é habitual ser por mês. O que o programa tem de garantir é saber produzi-lo para qualquer período passado, não apenas para o mês corrente.
Posso abrir o SAF-T no Excel?
Pode abrir, porque é um ficheiro de texto XML, mas não deve editá-lo. Um SAF-T editado à mão deixa de corresponder ao que foi emitido, e é exatamente isso que o ficheiro existe para provar.
Quem não tem contabilidade organizada precisa de SAF-T?
O SAF-T de faturação sai do programa de faturação e não depende do regime contabilístico. O SAF-T da contabilidade é que está ligado à contabilidade organizada. É mais uma razão para não tratar os dois como um só.
Quer isto tratado por si?
O guia responde à pergunta de hoje. O FaturaPT guarda o contexto da sua empresa, emite como a lei manda e avisa antes do prazo.
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